Eduardo Cordeiro da Hora, professor particular de Tênis, veio da Bahia para São Paulo ainda menino, antes dos 11 anos de idade. Acabou se apegando ao esporte depois de uma coincidência geográfica: “Eu vendia sorvete na frente de uma academia de Tênis e vi que eles estavam precisando de pegador de bola. Fui fazer uma entrevista lá e o pessoal gostou de mim. Então, eu comecei. De início eu não gostava de Tênis. Mas, com o passar do tempo, fui pegando gosto”, conta ele ao Plikko.

Por Marc Tawil | Fotos Sergio Mugnaini | Ilustrações Theo (8) e Joaquim (5)

Os anos se passaram e, de pegador de bola, Da Hora passou a ser um apaixonado praticante da nobre arte do Tênis. Tão apaixonado, que dela fez sua profissão. Ao Plikko, ele fala de sua trajetória e, principalmente, dos diferenciais que um professor de Tênis precisa ter hoje para se sobressair nos dias atuais.

Você se lembra do seu primeiro contato com a raquete e a bola?

Sim! Foi através de uma aluna, ainda adolescente. Em todas as academias de Tênis há um paredão com a faixa da rede desenhada. Eu comecei a brincar, mas batendo com a mão, porque na época eu não tinha raquete. Aí acabou que, com o tempo, eu fiz a minha própria raquete de madeira (com o fundo de caixote de uva). Os alunos que trocavam os grips jogavam no lixo e eu pegava esses grips e ia enrolando na raquete para dar forma na pegada dessa raquetinha de madeira. Com essa raquete, comecei a bater paredão. Aí uma aluna chamada Marilena Ched viu isso um dia e falou que ia me presentear com uma raquete de verdade. Foi assim, brincando com ela, que tive meu primeiro contato.

Você ainda guarda essa raquete de lembrança?

Não guardo porque, na época, minha mãe mudava sempre de casa e, no lugar em que a gente morava, sempre que chovia forte e a enxurrada passava por dentro de casa e acabávamos perdendo muita coisa. Uma dessas enxurradas levou a minha raquetinha…

Quais as suas referências no Tênis nacional e mundial?

O meu grande ídolo no Tênis é Pete Sampras. Hoje ele está aposentado, mas é um cara que eu adorava ver jogar. Eu o imitava até na forma de sacar. Tudo dele eu queria fazer igual. E ele foi quem me mostrou que o Tênis é um esporte lindo. Também tem o Guga Kuerten, que é a nossa grande referência nacional, um cara que fez muito pelo Tênis, um cara por quem eu tenho muita admiração. Sem falar no Roger Federer, Rafael Nadal e Novak Djokovic, que são admirados por todos os amantes de Tênis.

Quais são seus diferenciais como profissional?

Eu acredito que, por trabalhar com aulas particulares, meu diferencial são as situações que acontecem no dia a dia. Duas vezes por ano, por exemplo, a gente faz eventos infantis. Para os adultos, a gente faz um festival uma vez por ano. Procuro sempre estar unindo meus alunos, promovendo aulas uns com os outros. Acredito que isso seja uma coisa legal do meu trabalho.

Como deve ser o professor de Tênis século 21?

Ele tem de estar muito próximo do aluno, pois você acaba criando um vínculo e isso acaba se fortalecendo com a rotina. A maioria das pessoas hoje se interessa primeiramente pela aula de Tênis. Mas, para você segurar um aluno, você não pode ser só professor. Você tem que bater aquele papo saudável e ter paixão pelo seu trabalho, senão você não consegue transmitir essa alegria.

E para se destacar entre os concorrentes?

Primeiramente, é preciso amar o esporte. Outra coisa é saber transmitir uma informação para o aluno, uma dica prática ou técnica de forma fácil e direta, senão vira crítica, cobrança. A maioria dos alunos não quer isso. O professor do século 21 precisa perguntar o quê o aluno quer treinar, o quê ele acha legal na aula. Saber ouvir.

Existe algum ramo do Tênis que carece de bons profissionais?

Eu acredito que sim. Sempre estamos carecendo de bons profissionais. Falando do Tênis, em todas as áreas acho que faltam bons profissionais. Tanto para trabalhar com crianças, como com idosos, eles serão bem-vindos. A maioria dos grandes condomínios tem ótimas quadras de Tênis. Penso, inclusive, que a tendência é o número de professores particulares crescer. Em relação a academias e clubes, está mais complicado. Em São Paulo, por exemplo, não há terrenos para construir mais espaços de Tênis e, consequentemente, há filas de professores interessados.

É muito bonito ver a relação que você tem com os seus alunos mirins. Fale do seu prazer em ensinar crianças a jogar

Trabalhar com crianças para mim é maravilhoso. A vida que isso traz, a alegria no sorriso de uma criança para mim é coisa de louco, é algo especial. O fato de eu ter trabalhado durante dez anos com 14 crianças por hora em um projeto de Paraisópolis, zona sul de São Paulo, fez com que eu entrasse como um professor de Tênis nesse projeto e saísse como um educador. Foi maravilhoso. Parte dessa transformação eu devo às crianças. Aprendi a gostar de trabalhar com crianças. Quando trabalho com elas, em alguns momentos eu também me sinto uma, então isso se torna muito divertido e saudável.

Você acredita que o fato de você ter entrado no mundo do Tênis ainda criança influencia na sua relação com os pequenos? Você se enxerga um pouco neles?

Com certeza. O Tênis mudou totalmente minha vida desde cedo. O esporte na minha infância foi crucial. Pra mim, era muito divertido ir até a academia pegar bolinha, era muito prazeroso. As pessoas que eu conheci lá, isso tudo pra mim era extraordinário.

Qual o peso dos alunos na sua trajetória profissional?

São pessoas que me ajudaram muito e me ajudam até hoje. São os que mais me apoiam, chamam outros alunos. Sou muito grato a eles por estar onde estou e fazer o trabalho que faço. Isso sem contar as pessoas que fazem parte da minha história, como o Adalberto e o Ilton, amigos e incentivadores. Também estendo meu sincero agradecimento a minha equipe de trabalho: Felipe, Falcão, Isac, Isaias e Henrique. Obrigado!

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