Quando Gabi Bessa se apresenta como uma tatuadora que quase virou médica (tendo cursado quatro anos de Medicina), é fácil achar sua trajetória, no mínimo, inusitada, afinal uma profissão é bem diferente da outra. Mas é aí que as pessoas se enganam. A linha – tênue – que liga uma à outra é nada menos que a Arte.

Por Gabriela Marchini Santos | Fotos Fabiana Kocubey e Gabi Bessa

Gabi é uma tatuadora mulher, que só tatua mulheres.

Conversando com ela, percebe-se que seu ofício é motivado por amor. “Eu sou apaixonada pelo que faço.” Desde o início foi assim. Quando estava dando um tempo da faculdade de Medicina e tinha começado a pintar profissionalmente, o marido de Gabi (em uma época em que estavam separados) deixou de presente para ela na portaria uma máquina de tatuagem, como forma de reconquistá-la. E foi assim, que da artista plástica quase médica, nasceu a tatuadora.

“Acho o corpo feminino muito belo e sempre me interessei por esse tema.”

“Eu trouxe para a tatuagem a anatomia que aprendi na faculdade de Medicina. Já na arte, trago a parte interna dos ossos para o exterior. Como uma forma de representar a feminilidade e o poder da mulher, que vem de dentro pra fora. Herdei essa admiração pelo corpo feminino da minha mãe, que é artista plástica e a vida toda esculpiu torsos de mulheres.”

Se você busca alguém para colocar na sua pele aquele desenho que pegou na internet ou copiou de um livro, não é para ela que deve ligar. Se busca algo bem colorido, cheio de sombras e nuances, muito menos. A arte de Gabi Bessa é preto no branco, ou melhor, preto na pele. Num estilo chamado black work, expressado por formas simples, linhas e chapado preto, sem sombra nem pontilhismo. “Sou uma pessoa minimalista. Para mim menos é sempre mais”, diz ela. Gabi acredita na tatuagem tribal. “Ela é uma forma de expressão, serve para diferenciar a pessoa dentro da tribo.”

“Eu sou uma artista plástica antes de ser tatuadora.”

E por que as pessoas se tatuam? “Pelos mais variados motivos”, ela responde. “Às vezes, não gosta do corpo e quer chamar atenção para outras coisas. As pessoas olham para onde está tatuado. Também tatuam para marcar uma data importante da vida, para significar alguma coisa, um momento, por mais que o desenho seja abstrato.”

Seu trabalho é uma espécie de gestação que acontece a dois. Ela atende apenas uma mulher por dia. E tudo começa com uma sessão de desenho presencial, “minha ideia é vestir aquele corpo específico da melhor maneira. Só vou saber se vai ficar bom desenhando diretamente no corpo que é a minha tela do dia. A cada dia essa tela muda e é essa diversidade que me inspira. Eu só tatuo quando ambas, eu e minha cliente, gostamos do resultado”. Gabi também trabalha com desenhos figurativos, mas nesse caso o processo é um pouco diferente porque há todo um estudo prévio de desenho que ela faz antes no seu iPad.

Seu método é exclusivo para cada caso. Gabi explica: “cada experiência é única. Tem que ser assim porque vai ficar para o resto da vida. Não é uma coisa que você vai lá e compra”.

A artista vê a tatuagem como uma joia.

“Eu falo que faço joias”, completa rindo. “A tatuagem é principalmente um ornamento. Faço para embelezar o corpo da mulher ainda mais. Eu trabalho com essa coisa da autoestima. Tatuo muita mulher de quarenta anos, de trinta anos, gente normal, dentistas, médicas, mães. E eu gosto disso porque tira um pouco o estigma da tatuagem como uma coisa underground. Eu acredito que a tatuagem, nos tempos de hoje, é para todas.”

Para saber mais sobre o trabalho feminino dessa tatuadora singular, confira o Instagram @gabibessatattoo ou mande um e-mail para  gabibessa@me.com